O artigo abaixo traz excelente dica para se sair bem no ENEM.
Não basta só decorar conteúdos
Simone Iwasso
Aquecimento global tem a ver com geografia, química, física e até política internacional. Para entendê-lo, é preciso saber detalhes de climas das regiões, reações dos gases do efeito-estufa e funcionamento da atmosfera, entre outros itens. Mas não é só porque o risco representado pelo aquecimento global é hoje assunto recorrente na sociedade que o vestibulando deve se interessar por ele. Grandes temas como esse são a oportunidade que os vestibulares têm de organizar questões interdisciplinares, uma tendência que ganha espaço a cada ano.
“O aluno não pode mais achar que, porque vai para a área de exatas, não precisa saber nada de humanas, por exemplo”, diz o professor Gilberto Giusepone Junior, um dos diretores do Cursinho da Poli. “Ele precisa ter um conhecimento mais amplo, ser capaz de interpretar as informações que recebe e formar sua opinião, longe do senso comum.”
O movimento, que para o professor ainda precisa ser expandido, ganhou impulso com o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), exame aplicado pelo Ministério da Educação desde 1998. No ano seguinte, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) passou a adotar questões interdisciplinares como marca dos seus vestibulares.
Dez anos depois, exames das principais universidades federais do País, como as do Rio, e de uma série de instituições privadas já adotam o modelo. Há dois anos, o vestibular mais concorrido do País, o da FUVEST, passou a reservar 10% de sua prova de primeira fase para esse tipo de questão.
“Ouvi de um professor a dica mais legal, que é a de não ter limite para o estudo”, conta Andrea Corrêa, aluna do Objetivo, que se prepara para prestar Arquitetura. “Ele quis dizer para a gente que vale tudo: ler jornal, navegar na internet, ver filmes, discutir.”
Essa capacidade de transitar entre os assuntos é essencial, segundo professores de colégios e cursinhos, mas não pode ser entendida como um oposto ao modelo conteudista, que exige memorização de fórmulas e dados.
“O bom aluno que vai passar no vestibular sempre será aquele que estudou bem, que conhece os conteúdos, isto nunca vai poder ser deixado de fora”, afirma Alberto Francisco do Nascimento, coordenador de vestibulares do Anglo.
“A interdisciplinaridade não excluía necessidade de estudar e entender as disciplinas básicas.”
Para professores, o recado está dado: o mundo não tem divisões rígidas entre áreas de conhecimento e um aluno bem preparado não fará apenas um bom vestibular, mas terá mais facilidades na vida após a universidade.
Como se preparar
Limites: Para estudar e se preparar é preciso ir além do livro didático ou da apostila.
Livros, jornais, filmes e internet são fontes importantes de conhecimento.
Opinião: Repetir o senso comum, principalmente nas redações, não é mais aceito. O importante é reunir argumentos para um raciocínio próprio. O Estado de São Paulo – Vestibular (caderno especial) – 16/05/2008. |