MEC PREPARA "BANCO DE TALENTOS"
20/09/2005 - 10h41
SIMONE HARNIK
da Folha de S.Paulo
Além de servir para o ingresso em mais
de 400 instituições de ensino superior, o Enem (Exame
Nacional do Ensino Médio) vai poder ser usado na seleção
de emprego. "Até o fim do mês, vamos apresentar
o projeto do banco de talentos. A idéia é criar um
ambiente virtual, no qual as empresas possam acessar o desempenho
dos candidatos e entrar em contato com eles", diz Dorivan Ferreira,
coordenador do Enem.
De acordo com Ferreira, esta seria a concretização
do terceiro objetivo da prova. A intenção é
que ela funcione como auto-avaliação, sirva para as
faculdades usarem em seu processo seletivo e facilite a entrada
no mercado.
O banco de talentos vai permitir que empresas cadastradas no MEC
(Ministério da Educação) pesquisem o desempenho
dos candidatos. Eles vão poder buscar perfis de acordo com
as cinco competências e 21 habilidades avaliadas na prova.
"Além disso, os candidatos poderão acrescentar
suas experiências profissionais", diz Ferreira.
"Vamos pegar essas habilidades e fazer uma correlação
com o mundo do trabalho. Se a empresa quiser algum aluno que concluiu
o ensino médio e seja bom em português, por exemplo,
vai solicitar ao sistema que apresente esse grupo de estudantes."
Ferreira afirma que empresas já procuraram o MEC informalmente.
A idéia agora é firmar esse contato. "Nós
já temos uma verba para o sistema. O maior problema que encontramos
é o acesso. Nem todos os candidatos têm internet disponível.
Vai ter de haver um esforço para a inclusão digital."
Hoje em dia, as empresas ainda não utilizam o desempenho
no Enem como critério para seleção de profissionais,
segundo Rossano Lippi, diretor da Central de Estágios Gelre,
que há 26 anos trabalha na área de recursos humanos.
Mas a boa nota no Enem já ajudou alguns estudantes a ingressarem
no mercado. Edson Roberto Didoné Júnior, 24, é
um dos que foram beneficiados. Em 1999, quando terminava o ensino
médio, Edson teve alta pontuação na prova.
Hoje, depois de graduado, ele leciona geografia no colégio
em que estudava. "Qualquer empresa valorizaria. A boa nota
abriu portas", conta.
Segundo Marisa da Silva, consultora do Career Center, colocar a
pontuação do Enem no currículo é incomum.
"Mas o bom desempenho pode ser usado na entrevista, como um
desafio que foi enfrentado", diz.
Nas empresas
Dentro das companhias, o Enem começa a ganhar espaço.
Na BSM, uma empresa de engenharia do Rio com 700 funcionários,
pela primeira vez o exame vai ser utilizado para selecionar os
empregados talentosos. As dez melhores notas da empresa vão
receber bolsas de estudo em faculdades.
"Estamos descobrindo aqui dentro quem é bom, os mais
esforçados", conta o gerente-geral, Alexandre Tardin.
Dos funcionários, 75 resolveram se inscrever.
"Escolhemos o Enem porque ele tem credibilidade e a avaliação
é justa. Com ele não tem cola. É uma questão
de responsabilidade social. O retorno é a satisfação
do funcionário", diz. |